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Sinópse

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ÁGUIA NA ENCANTARIA
DE FÉS, FOLGUEDOS E MILAGRES QUE DESAGUAM NO SERTÃO


CARNAVALESCO: LEANDRO BARBOZA
ENREDISTA: TIAGO FREITAS

Setor 1 – FÉ MÍSTICA DO SERTÃO

 

“Prepare o seu coração pras coisas que eu vou contar.

Eu venho lá do sertão, eu venho lá do sertão”.

 

Eu sou de lá, do meio do vento na escuridão que renasce em claridade com a força do sol inclemente. Eu sou de lá da bruma quente energizada pela bebida da Jurema feita pelas caboclas-pajés-nordestinas, as Juremeiras, que estão envoltas no meio do braseiro e da fumaça mística e sagrada do Catimbó. Eu sou filha dessas senhoras sertanejas que cirandam no transe da encantaria. Vejo Portais, sinto conexões. Roguei a elas que o sol parasse de arder para que a dor abrandasse. Sou filha dos sertanejos Erveiros, que com suas múltiplas fés, curam dores com garrafadas e preparam banhos secretos com extratos de cheiros que tiram mau-olhado e curam corações partidos. Eu sou de lá, sou filha das Senhoras Benzedeiras, que evocando palavras-orações num doce bailar de mãos com galhos de arruda, derrubam agonias sem desfechos, quebrantos e chagas que assombram os corpos e juízos. Sou filha desses seres sertanejos iluminados. Sou da pajelança nordestina, sou das folhas, das ervas e das “bênças”. Com a força dessa encantaria sertaneja, o sol inclemente cessou, a cura chegou e, com a energia sagrada dessa Fé mística do sertão, a cura também chegará ao coração da nossa comunidade da Águia de Ouro, firmando assim o primeiro milagre: O SOL ABRANDOU ATÉ A DOR CESSAR!

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Setor 2 – SERTÃO DE FÉ CATÓLICA

 

Quando o sol abrandou até a dor cessar, foi preciso um clamor de fé católica para que a chuva, encantada, chegasse ao sertão, permitindo, assim, um enverdecer das colinas secas do sertão. Eu sou de lá daqueles que rogam súplicas a meu pai Padim Ciço, para que ele permita um gotejar de esperança em nossos açudes vazios. Eu sou de lá, daqueles que fazem rezas à Santa Dulce, mãe dos pobres, a senhora luz do sertão, para que não deixe de alumiar nosso nordeste de luta.

Clamei aos céus a intercessão de São Pedro, o Santo da Chuva para que abra as torneiras do encanto para desaguar no sertão. Eu sou de lá, da fé que se exagera, que roga à senhora Mãe da Chuva, Santa Bárbara, que com sua força vermelha dos trovões traga água em abundância. Eu sou de lá da devoção e das novenas à São José, pai do povo rural do agreste, pedindo para que a chuva molhe a plantação.

 

Que meu Pai Padim Ciço, faça gotejar no meu sertão.

Que Mãe Dulce alumie a luta dos nordestinos peregrinos.

Que São Pedro aqui deságue um mar de proteção;

Que Santa Bárbara inunde meu nordeste de trovões,

Que São José regue e traga o verde para a plantação.

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Eu sou de lá desse Sertão de fé católica. Sou de lá da fé que aponta que, com muita reza, uma emocionante vitória vai chegar. Nessa teia de fé que aponta a vitória no sertão, também faz com que aporte na nossa Águia de Ouro o segundo milagre: A VITÓRIA VAI CHEGAR!

 

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Setor 3 - SERTÃO DOS FOLGUEDOS

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Com a certeza da fé de vitórias que vão chegar, meu povo sertanejo vai celebrar a alegria que se aproxima com folguedos e festejos que alumiam a alma. Eu sou de lá da encantaria do Bumba Meu Boi, festejo que representa a resistência e o renascimento dos homens e mulheres do sertão. Eu sou de lá, da força e tradição do Festejo de Reisado, em que reis e rainhas populares percorrem as casas do sertão levando alegria e sorte. Eu sou de lá do festejo do Maracatu, que celebra a força do caboclo sertanejo trabalhador, que está com sua lança de cortar cana. Sou filha desse sertão de folguedos de lutas. Sou das festas do sertão que conduzem as boiadas, assim como as Cavalhadas rurais que celebram o encantamento do labor sertanejo. Eu sou de lá das palmas e da Dança de Roda que celebra o trabalho de Quebrar Coco no sertão. Eu sou de lá da fogueira ardente, do xote, da sanfona, da zabumba, do xaxado, do baião e dos sabores da Festa Junina do Sertão. Sou de lá desse sertão de alegrias, sou de lá desse Sertão de folguedos populares. Surge assim, no coração do sertanejo, o terceiro milagre, tal qual no coração do componente da Águia de Ouro: A ALEGRIA SE ESPALHOU POR TODA A POMPEIA!

 

Setor 4 – SERTÃO DOS MILAGREIROS QUE FAZEM CHOVER

 

“Mandacaru, quando fulóra na seca, é o sinal que a chuva chega no sertão”

 

Com o sol brando e a dor dissipada pela fé mística do sertão, a vitória anunciada pela fé católica, e a alegria que se espalhou pelos folguedos e festejos, os sertanejos se circundaram de mais um milagre: fazer com que a chuva, finalmente, caia no sertão. Eu sou de lá. Sou filha desses seres sertanejos milagreiros populares. Sou filha dos Senhores do sal, que quando a seca insiste em resistir, cirandam dançando no terreiro do sertão empunhando sal nos telhados das moradias. Sou filha dos Anciões que plantam sementes de Mandacaru, em resiliência e que esperam um dia ver a semente florescer imponente. Sou filha dos Profetas da Chuva, senhores que olham os ninhos dos pássaros até pousarem neles borboletas azuis-encantadas que anunciam que a chuva, enfim chegará. Sou filha das Marias cantadeiras da incelência da chuva, que ruminam um doce e prolongado cântico com baldes na cabeça clamando aos céus doses de chuva. Baila, nessa espera, o desejo dos sertanejos pela água tão sagrada. Sou filha desse povo que, um dia, veem a espera se findar. Terno instante, mistério profundo: a chuva cai no sertão. O verde floresce, o sol abranda, a dor passa, a vitória anunciada, enfim, aporta. O açude transborda, os baldes se enchem e a esperança retorna. Da união resiliente desses milagreiros populares, que tanto esperaram, dançando com sal, plantando o mandacaru, vigiando a chegada das borboletas e cantando o cântico das águas, nasce o 4º milagre: a chuva molhou o sertão. Tal como o sertão venceu e floresceu, florescerão, no Carnaval de 2027, os sonhos da comunidade da Águia de Ouro de vencer e retornar ao Grupo Especial do Carnaval de São Paulo.

 

O sonho floresceu, a encantaria se firmou. Eu vi chover, eu vi relampejar! A Águia voou pelo sertão a celebrar esse nordeste místico. Eu sou de lá, do Sertão, e agora, também sou de lá, da Pompeia. Sou Águia de Ouro. Sou de lá, filha dos populares milagreiros do sertão e filha de uma Águia nordestina e de Ouro.

 

Águia de Ouro 2027
Presidente: Sidnei Carriuolo

Carnavalesco: Leandro Barboza

Pesquisa e sinopse: Tiago Freitas

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