Emocionante, Águia de Ouro em grande estilo e mostra força para buscar o primeiro título


Publicado no site: http://sasp.com.br no dia 03 de março de 2019.

Novamente no Grupo Especial de São Paulo, o Águia de Ouro abriu a segunda noite de desfiles com a maturidade e a qualidade que se espera de uma escola que almeja o campeonato. Chefiada por Laíla e com um belo trabalho de Fran Sérgio, os quesitos plásticos da escola chamaram atenção pela beleza e já com as características dos profissionais cariocas. Além disso, o trabalho de harmonia da escola foi louvável, com canto muito forte e constante da comunidade. Sem dúvidas, um desfile emocionante para entrar na história da escola.


Propondo trazer as mazelas sociais em seu enredo, a escola conseguiu emocionar os presentes. Ainda na comissão de frente a proposta de conquistar o público no quesito emoção ficou clara. Índios eram aprisionados por colonizadores e deixavam de ser um povo livre. Nos setores seguintes viu-se o açoite de negros na alegoria e enquanto esses apanhavam clamavam por ajuda aos pretos velhos que estavam na parte inferior. Esse terceiro carro, aliás, pode ser colocado como a imagem do carnaval até agora. A forma como os componentes da escola se entregaram nesse setor da escola impressionou.


A qualidade técnica do intérprete Douglinhas junto ao jeito malandreado e a potência de canto de Tinga também merece destaque. Os dois mostraram que, apesar de estarem juntos a pouco tempo, o entrosamento está perfeito. Com a excelente atuação de ambos, o rendimento samba-enredo, que já era satisfatório nos ensaios, se tornou melhor ainda na noite de desfile. A bateria de mestre Juca passou com ritmo a 146bpm e seus tamborins mais uma vez brincaram durante a passagem na avenida. As bossas foram executadas com perfeição e os diversos paradões não atravessaram quando a bateria retornou, e contribuíram positivamente para o desfile da Azul e Branca e para a resposta positiva do público.


Um pequeno problema de evolução foi contornado rapidamente pela direção de harmonia da escola em frente ao setor H. Por alguns instantes a última ala se distanciou da alegoria que finalizava o desfile e um espaçamento se formou, mas rapidamente os compositores da agremiação ocuparam o espaço e a escola passou sem problemas pelo módulo de julgamento. A escola manteve um andamento bem linear e fechou o seu desfile com 65 minutos.


Representando a chegada dos portugueses ao Brasil, a comissão de frente do Águia de Ouro abriu o desfile da agremiação retratando o encontro do homem branco com o índio. Mas, diferente do que registram muitos livros de história, o quesito retratou a resistência dos índios na chegada dos portugueses e a relação de invasor do homem branco europeu em solo brasileiro. Logo na sequência, duas alas coreografadas representaram os dois povos e suas relações quando do desembarque dos portugueses no Brasil. O setor ainda contou com a Ala das Baianas, representando o eldorado. E o primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira, João Carlos e Ana Paula, ainda nessa temática, veio representando o sentimento de soberania dos portugueses nas terras brasileiras. Por fim, a grande caravela da ganância marcou o primeiro carro da agremiação.


A Batucada da Pompéia, de Mestre Juca, também veio nessa temática, representando os navegadores portugueses. As alas subsequentes trouxeram as riquezas contidas nas terras brasileiras e que encantavam – e colaboravam para a exploração do homem branco. Pau-brasil, a riqueza do solo, os diamantes e as pedras preciosas foram retratadas em alas. Finalizando o setor, a monarquia e a nobreza portuguesa que se instalaram em solo brasileiro foram exemplificados, através de uma ala e do segundo carro da agremiação.


Na sequência, espaço para representação em alas do ciclo da cana de açúcar, da borracha e do café. Os escravos também foram lembrados, na ala que antecedeu a terceira alegoria da agremiação. A escravidão que matou e abusou de tanta gente na história também foi o tema do terceiro carro alegórico da Azul e Branca da Pompéia. O sofrimento vivido pelos negros africanos escravizados pelo homem branco foram os destaques da terceira alegoria da agremiação.


Acompanhando a história do Brasil, as alas do quarto setor da agremiação trouxe para a avenida o período de proclamação da República e, tocando na ferida, lembrou que a instauração do regime republicano acabou perpetuando os interesses da elite. O voto de cabresto, a política do café com leite e o Movimento Constitucionalista de São Paulo, de 1932, foram alguns dos períodos lembrados no desfile da agremiação. E, claro, como não poderia deixar de ser abordado, o período ditatorial militar também foi representado no desfile da agremiação. Fechando setor, espaço para o sentimento de incredulidade e desânimo diante de tantos escândalos, além da Operação Lava-Jato, que investiga o maior esquema de corrupção da história do país.


O quarto carro do Águia de Ouro trouxe as mazelas políticas do Brasil. A alegoria, diante do histórico de corrupção do país, contou com animais asquerosos para simbolizar a classe política brasileira, que passa longe dos interesses da população. Logo na sequência, espaço para a crítica da mistura de política e religião. Fome e miséria também foram retratados nas últimas alas, assim como a influência dos meios de comunicação que resultam em manifestações nas ruas e nas casas, como os bate-panelas. Por fim, a quinta alegoria da agremiação representou a exploração social e a ideia de que poucos tem muito, e muitos quase nada tem.

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